«Nunca é agora entre nós, é sempre até Domingo, até sexta, até terça, até ao próximo mês, até para o ano, mas evitamos cuidadosamente enfrentar-nos, temos medo uns dos outros, o medo do que sentimos uns pelos outros, medo de dizer Gosto de ti.» António Lobo Antunes
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25 agosto, 2011
Beijo roubado
Adoro beijos roubados
sem intuito ou explicação
Loucos, desvairados
impulsivos, embriagados
corrosivos de atracção.
Um ardor que invade e queima
num tremor que se propaga
arde o corpo em desejo
despido, sedento
de um beijo que se deflagra.
Irrompe, sedando os sentidos,
molhado, doce, afrutado
os lábios macios, a língua morna
um beijo roubado, agora rendido
percorre a pele deslumbrado.
18 agosto, 2011
Por trás do Vidro
É ali, por trás do vidro, que me encontro contigo.
Num magnetismo que atordoa e assusta. Esfaimada de um abraço, um beijo, um sorriso.
Embato no vidro, desolada. Sinto a violência da impotência: quero tocar-te, mas não consigo.
Respiro rente ao vidro embaciado. E beijo-te. Demoradamente.
Há uma certa intemporalidade na barreira do vidro. Despojada de horas, de regras ou limites. Por isso perco-me nesse beijo etéreo. E sinto os teus lábios molhados tocarem nos meus.
As mãos tacteiam, por entre o vidro espesso onde os corpos suados roçam numa espécie de dança invulgar. Tua e minha. Erótica. Viciante. Não sei se és verdade ou fantasia, mas sinto-te em mim de uma forma precisa. Ali, por trás do vidro, onde me encontro contigo. Onde entrego o que há mais íntimo em mim.
28 julho, 2011
O que vale um Beijo
- O que vale um beijo?
Perguntou um ser ignorante ao maior sábio do mundo. E o sábio ficou abalado, confuso, as suas mãos tremiam…
Disse-lhe a definição de beijo, todos os tipos de beijos catalogados, todos os sabores e feitios. Explicou-lhe os efeitos que provoca, o aumento das pulsações cardíacas de 60 para 130 por minuto, que queima 15 calorias, os 30 músculos faciais que activa. Explicou-lhe tudo. Ou quase tudo. Mas não lhe deu a resposta que ele pedia:
- O que vale um beijo?
Intrigado, o sábio procurou em todas as enciclopédias do mundo, nas várias línguas, nos antepassados manuscritos… levou anos de pesquisa, até que respondeu humildemente ao ignorante que não sabia.
Então o ignorante sentou-se junto dele e contou-lhe a sua história.
Um dia beijou uma mulher que se cruzou com ele na esquina. Nem reparou bem no seu corpo ou rosto, os olhos chocaram de frente, foi atraído pela sua respiração e invadido pelo seu perfume. Assim, inesperadamente, chocaram um no outro e ele e sentiu uma vontade louca, violenta, poderosa, de lhe segurar a cintura e a beijar naquele mesmo instante. Apenas isso lhe passou a voar, por segundos, na cabeça.
Como era uma pessoa sem grande capacidade de raciocínio, deixou-se levar pelo instinto. Agarrou-a com a mão esquerda contra o seu tronco e com a outra mão afagou-lhe o cabelo, beijando-a de seguida.
O sábio olhava-o espantado, sem conseguir perceber uma palavra do que ele lhe dizia. Ainda assim perguntou curioso «E depois?».
O ignorante disse-lhe que foi um beijo demorado, doce, molhado. Sentiu-lhe todo o corpo, e entregou o dele também, numa nudez guiada pelos lábios e a língua. «Sim, sim, mas e depois?» repetia o sábio já irritado.
- Depois, sorrimos e cada um seguiu o seu caminho.
O sábio ficou perplexo, agitado, perguntou-lhe se não tinha ficado com o contacto dela, se não a tinha seguido. E afinal, repetia o sábio, o que lhe valeu aquele beijo?
O ignorante encolheu os ombros. Era mesmo isso que ele não sabia.
Perguntou um ser ignorante ao maior sábio do mundo. E o sábio ficou abalado, confuso, as suas mãos tremiam…
Disse-lhe a definição de beijo, todos os tipos de beijos catalogados, todos os sabores e feitios. Explicou-lhe os efeitos que provoca, o aumento das pulsações cardíacas de 60 para 130 por minuto, que queima 15 calorias, os 30 músculos faciais que activa. Explicou-lhe tudo. Ou quase tudo. Mas não lhe deu a resposta que ele pedia:
- O que vale um beijo?
Intrigado, o sábio procurou em todas as enciclopédias do mundo, nas várias línguas, nos antepassados manuscritos… levou anos de pesquisa, até que respondeu humildemente ao ignorante que não sabia.
Então o ignorante sentou-se junto dele e contou-lhe a sua história.
Um dia beijou uma mulher que se cruzou com ele na esquina. Nem reparou bem no seu corpo ou rosto, os olhos chocaram de frente, foi atraído pela sua respiração e invadido pelo seu perfume. Assim, inesperadamente, chocaram um no outro e ele e sentiu uma vontade louca, violenta, poderosa, de lhe segurar a cintura e a beijar naquele mesmo instante. Apenas isso lhe passou a voar, por segundos, na cabeça.
Como era uma pessoa sem grande capacidade de raciocínio, deixou-se levar pelo instinto. Agarrou-a com a mão esquerda contra o seu tronco e com a outra mão afagou-lhe o cabelo, beijando-a de seguida.
O sábio olhava-o espantado, sem conseguir perceber uma palavra do que ele lhe dizia. Ainda assim perguntou curioso «E depois?».
O ignorante disse-lhe que foi um beijo demorado, doce, molhado. Sentiu-lhe todo o corpo, e entregou o dele também, numa nudez guiada pelos lábios e a língua. «Sim, sim, mas e depois?» repetia o sábio já irritado.
- Depois, sorrimos e cada um seguiu o seu caminho.
O sábio ficou perplexo, agitado, perguntou-lhe se não tinha ficado com o contacto dela, se não a tinha seguido. E afinal, repetia o sábio, o que lhe valeu aquele beijo?
O ignorante encolheu os ombros. Era mesmo isso que ele não sabia.
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