Tudo começa como acaba. Numa mistura de dúvidas e medos. Palavras amordaçadas numa incompreensão gestual, um silêncio de diálogos mudos.
Escondem-se as mãos nos bolsos cobardemente, também elas nervosas. Receiam a sorte, o destino. Tremem envergonhadas. Sofrem por antecipação a amargura da desilusão, o pânico de falhar, da rejeição. Anseiam o consolo infeliz do porto seguro.
Tiram-se as mãos dos bolsos, sem medo. Porque é mais forte que elas o desejo de agarrar. Assim se soltam as palavras, presas na garganta, por instinto.
Beija-se ardentemente. Com os lábios, com as mãos, com as palavras. Sem pudor. Beija-se sofregamente com o coração.
Tudo começa novamente. As vezes que for preciso.
