«Linhas paralelas que não tardaram a encontrar-se, porque a vida não é assim tão geométrica» Mário Zambujal
Então está combinado. Eu sigo por aqui, tu segues-me de perto. Mas seguimos os dois na mesma direcção. Posso ver-te, tocar-te, sentir a tua respiração rente ao meu pescoço e o calor da nossa intimidade.
Já não penso como antes. Convenceste-me com o carinho do teu abraço, o deslumbre das tuas palavras e a insanidade envolvente dos teus beijos. Hoje não quero mais cruzamentos que atravessem a alma, a atropelem bruscamente para depois seguirem rumos opostos.
Quero seguir a teu lado. Na constante euforia que me veste, mas sorrindo com a calma que aparentas. Sei que por dentro ardes como um vulcão pronto a explodir a cada instante, de loucura, desejos e medos. Nessa altura acompanho-te, afago o teu rosto inquieto e deixo-te repousar no meu peito. Sou agora a calma que te encontra submerso, o brilho que te puxa do escuro. Por vezes com uma gargalhada, porque a vida não pode sempre ser levada a sério. Mordo-te o lábio e percorro-te o pescoço, vicio-me no teu cheiro, no teu sabor. Estás aqui, mesmo ao meu lado, no caminho paralelo. Como o corrimão de uma ponte imensa que percorremos juntos, para nos encontrarmos lá ao fundo onde a geometria quebra as suas regras.
«Nunca é agora entre nós, é sempre até Domingo, até sexta, até terça, até ao próximo mês, até para o ano, mas evitamos cuidadosamente enfrentar-nos, temos medo uns dos outros, o medo do que sentimos uns pelos outros, medo de dizer Gosto de ti.» António Lobo Antunes
04 janeiro, 2012
02 janeiro, 2012
Esta noite
"Psssttttt....faz amor comigo".
Arranca-me do escuro com a violência de um furacão. Arrasta-me. Leva-me para longe.
Mesmo que me debata contra o teu corpo robusto, que rasgue
a tua roupa, arranhe as tuas costas e irrompa nos teus braços, queimando como a
lava de um vulcão. Que o suor entre nós dois seja uma mistura ácida de medo,
dor e prazer. Porque a loucura não tem limites, nem pudor.
Luta, se quiseres, contra o ímpeto selvagem que me habita. Domina-me,
ou aceita-me assim mesmo, nua de raciocínio, envolta em
contradições. Em delírio, a pele embriagada transpira a sede de querer sempre mais, insatisfeita, descontrolada tacteia sem rumo. Ninguém possui ou é possuído. É uma guerra inútil, sem vencedor. Entrega-te e eu rendo-me. Fugimos de nós, do mundo.
É nessa altura que sussurro-te ao ouvido “Vem comigo”. Esta noite quero voar pelo desejo e perder-me nele como por magia. Faz amor comigo.
31 dezembro, 2011
o resto
«Tu vives a tua vida e eu vivo a minha, e o resto vivemos juntos»
O que é "o resto"? perguntas.
O resto...
Para alguns, à primeira vista, "o resto" pode parecer tão pouco. Aquilo que sobra, que excede e não interessa.
Mas para outros, "o resto" pode significar tanto, diria mesmo tudo.
"O resto" és tu e eu, aqui, neste exacto momento, em que a distância não é capaz de separar o sentimento. A saudade não consegue sufocar o desejo de te querer mais e mais.
O meu resto és tu. Onde quer que te encontres neste imenso universo, é a memória da tua voz grave e calma que me embala, a sensação dos teus braços fortes que me seguram e abraçam, o sabor da tua saliva que se entranhou na minha boca e a alimenta. É a nossa fantasia que envolve cada segundo da minha vida. Esse doce e inebriante "resto".
Aquele espaço apertadinho, secreto, que criámos entre os dois, é "o resto".
O pedaço de arte que nos completa, a poesia que nos exprime, a melodia que nos eleva e prolonga no infinito.
27 dezembro, 2011
Voar
Passou por mim mais um ano, ou eu passei por ele sem reparar.
A vida vai passando apressada, eu continuo a vê-la lá fora. Ofuscante.Como se fosse um filme que já tivesse visto vezes sem conta, decorado todas as falas e gestos dos actores. Conheço de cor a banda sonora. Irritante, repetitiva, ensurdecedora. Afasto-me assustada.
Todos os meus extremos são redondos, deficientes, inadaptados. Impotente, embato na realidade de vidro baço e percebo, desolada, que não sei voar.
Recolho-me no casulo novamente.
Passou por mim mais um ano, ou eu passei por ele, de olhos fechados, sem reparar.
24 dezembro, 2011
23 dezembro, 2011
Would you?
Would you?
Há pessoas que ficam em nós porque nos fazem,
ou fizeram, amá-las brutalmente.
Homens, mulheres, seres vivos.
Algumas tivemos por horas apenas,
minutos, até segundos. Mas ficam a planar eternas no tempo, em memórias e
sensações.
Podia ser um traço físico, um corpo delineado
ou escultural, um cabelo ondulado comprido, uns olhos grandes azuis, uma boca
carnuda, ... mas toda essa beleza seria efémera.
O que nos faz realmente amar alguém é o
levantar do sobrolho, o olhar penetrante, o sorriso rasgado, aquele andar
tímido desajeitado, o cabelo despenteado por cortar, aquele abraço apertado que
nos preenche o corpo, as palavras certas vindas na hora exacta...
É o “olá” que nos estremece, da voz que
conseguimos distinguir a quilómetros de distância.
É aquele braço que nos rodeia os ombros
fragilizados, os dedos que nos percorrem arrepiando as costas, a mão que afaga
o nosso rosto até à boca e pergunta: “então?”
É o sussurro no nosso ouvido, seguido do beijo
quente, louco, molhado que se desenrola pelo pescoço.
São as gargalhadas partilhadas naquelas
conversas desarrumadas e sem sentido.
É aquele ombro que nos ampara quando
simplesmente não temos força para nos levantar.
É a música que nos canta baixinho ao ouvido em
segredo, o corpo que se esfrega no nosso a dançar.
É a capacidade de nos fazer
sorrir e esquecer do mundo, a saudade que nos aperta a alma na imprevisível
ausência, quando “não está”.
É a vontade que temos de contemplar, estar
perto, mesmo em silêncio, sem questionar.
Podia ser um traço físico, mas é muito mais...
22 dezembro, 2011
Espaço Amor
Há um espaço no mundo chamado Amor.
Não é um espaço grande, pelo contrário, é um espaço pequenino, de entrada estreita. Mas uma vez lá dentro, o conforto estende-se por todo o corpo, como se nos encaixássemos nele na perfeição. Completa-nos. Abriga-nos do frio, sacia a fome e a sede, afaga-nos o peito.
Nesse espaço mágico há o calor da voz que nos escuta e sussurra baixinho desabafos, loucuras e fantasias. E em suaves beijos, despe-nos lentamente e percorre-nos a pele sem receio. Não existe juízos, nem preconceitos. É um espaço virgem de medos, repleto de desejos.
Há esse espaço encantado chamado Amor. Num cruzamento escondido da vida, sem se perceber, duas almas perdidas entregam-se por inteiro, e os corpos confusos, ardem desassossegados de prazer.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






