04 janeiro, 2012

Caminhos paralelos

«Linhas paralelas que não tardaram a encontrar-se, porque a vida não é assim tão geométrica» Mário Zambujal



Então está combinado. Eu sigo por aqui, tu segues-me de perto. Mas seguimos os dois na mesma direcção. Posso ver-te, tocar-te, sentir a tua respiração rente ao meu pescoço e o calor da nossa intimidade.
Já não penso como antes. Convenceste-me com o carinho do teu abraço, o deslumbre das tuas palavras e a insanidade envolvente dos teus beijos. Hoje não quero mais cruzamentos que atravessem a alma, a atropelem bruscamente para depois seguirem rumos opostos.
Quero seguir a teu lado. Na constante euforia que me veste, mas sorrindo com a calma que aparentas. Sei que por dentro ardes como um vulcão pronto a explodir a cada instante, de loucura, desejos e medos. Nessa altura acompanho-te, afago o teu rosto inquieto e deixo-te repousar no meu peito. Sou agora a calma que te encontra submerso, o brilho que te puxa do escuro. Por vezes com uma gargalhada, porque a vida não pode sempre ser levada a sério. Mordo-te o lábio e percorro-te o pescoço, vicio-me no teu cheiro, no teu sabor. Estás aqui, mesmo ao meu lado, no caminho paralelo. Como o corrimão de uma ponte imensa que percorremos juntos, para nos encontrarmos lá ao fundo onde a geometria quebra as suas regras.



02 janeiro, 2012

Esta noite



"Psssttttt....faz amor comigo". 
Arranca-me do escuro com a violência de um furacão. Arrasta-me. Leva-me para longe. 
Mesmo que me debata contra o teu corpo robusto, que rasgue a tua roupa, arranhe as tuas costas e irrompa nos teus braços, queimando como a lava de um vulcão. Que o suor entre nós dois seja uma mistura ácida de medo, dor e prazer. Porque a loucura não tem limites, nem pudor.
Luta, se quiseres, contra o ímpeto selvagem que me habita. Domina-me, ou aceita-me assim mesmo, nua de raciocínio, envolta em contradições. Em delírio, a pele embriagada transpira a sede de querer sempre mais, insatisfeita, descontrolada tacteia sem rumo. Ninguém possui ou é possuído. É uma guerra inútil, sem vencedor. Entrega-te e eu rendo-me. Fugimos de nós, do mundo. 
É nessa altura que sussurro-te ao ouvido “Vem comigo”. Esta noite quero voar pelo desejo e perder-me nele como por magia. Faz amor comigo.



31 dezembro, 2011

o resto




«Tu vives a tua vida e eu vivo a minha, e o resto vivemos juntos»

O que é "o resto"? perguntas.
O resto...
Para alguns, à primeira vista, "o resto" pode parecer tão pouco. Aquilo que sobra, que excede e não interessa.
Mas para outros, "o resto" pode significar tanto, diria mesmo tudo.
"O resto" és tu e eu, aqui, neste exacto momento, em que a distância não é capaz de separar o sentimento. A saudade não consegue sufocar o desejo de te querer mais e mais.
O meu resto és tu. Onde quer que te encontres neste imenso universo, é a memória da tua voz grave e calma que me embala, a sensação dos teus braços fortes que me seguram e abraçam, o sabor da tua saliva que se entranhou na minha boca e a alimenta. É a nossa fantasia que envolve cada segundo da minha vida. Esse doce e inebriante "resto".
Aquele espaço apertadinho, secreto, que criámos entre os dois, é "o resto".
O pedaço de arte que nos completa, a poesia que nos exprime, a melodia que nos eleva e prolonga no infinito.


27 dezembro, 2011

Voar




Passou por mim mais um ano, ou eu passei por ele sem reparar.
A vida vai passando apressada, eu continuo a vê-la lá fora. Ofuscante.Como se fosse um filme que já tivesse visto vezes sem conta, decorado todas as falas e gestos dos actores. Conheço de cor a banda sonora. Irritante, repetitiva, ensurdecedora. Afasto-me assustada.
Todos os meus extremos são redondos, deficientes, inadaptados. Impotente, embato na realidade de vidro baço e percebo, desolada, que não sei voar.
Recolho-me no casulo novamente.
Passou por mim mais um ano, ou eu passei por ele, de olhos fechados, sem reparar.

24 dezembro, 2011

Um doce Natal


(feitas por mim!)

De mim para vocês, com todo o amor, desejo-vos de um Natal docinho!

23 dezembro, 2011

Would you?



Would you?


Há pessoas que ficam em nós porque nos fazem, ou fizeram, amá-las brutalmente.
Homens, mulheres, seres vivos.
Algumas tivemos por horas apenas, minutos, até segundos. Mas ficam a planar eternas no tempo, em memórias e sensações.
Podia ser um traço físico, um corpo delineado ou escultural, um cabelo ondulado comprido, uns olhos grandes azuis, uma boca carnuda, ... mas toda essa beleza seria efémera.
O que nos faz realmente amar alguém é o levantar do sobrolho, o olhar penetrante, o sorriso rasgado, aquele andar tímido desajeitado, o cabelo despenteado por cortar, aquele abraço apertado que nos preenche o corpo, as palavras certas vindas na hora exacta...
É o “olá” que nos estremece, da voz que conseguimos distinguir a quilómetros de distância.
É aquele braço que nos rodeia os ombros fragilizados, os dedos que nos percorrem arrepiando as costas, a mão que afaga o nosso rosto até à boca e pergunta: “então?”
É o sussurro no nosso ouvido, seguido do beijo quente, louco, molhado que se desenrola pelo pescoço.
São as gargalhadas partilhadas naquelas conversas desarrumadas e sem sentido.
É aquele ombro que nos ampara quando simplesmente não temos força para nos levantar.
É a música que nos canta baixinho ao ouvido em segredo, o corpo que se esfrega no nosso a dançar.
É a capacidade de nos fazer sorrir e esquecer do mundo, a saudade que nos aperta a alma na imprevisível ausência, quando “não está”.
É a vontade que temos de contemplar, estar perto, mesmo em silêncio, sem questionar.
Podia ser um traço físico, mas é muito mais...




22 dezembro, 2011

Espaço Amor


Há um espaço no mundo chamado Amor.
Não é um espaço grande, pelo contrário, é um espaço pequenino, de entrada estreita. Mas uma vez lá dentro, o conforto estende-se por todo o corpo, como se nos encaixássemos nele na perfeição. Completa-nos. Abriga-nos do frio, sacia a fome e a sede, afaga-nos o peito.
Nesse espaço mágico há o calor da voz que nos escuta e sussurra baixinho desabafos, loucuras e fantasias. E em suaves beijos, despe-nos lentamente e percorre-nos a pele sem receio. Não existe juízos, nem preconceitos. É um espaço virgem de medos, repleto de desejos.
Há esse espaço encantado chamado Amor. Num cruzamento escondido da vida, sem se perceber, duas almas perdidas entregam-se por inteiro, e os corpos confusos, ardem desassossegados de prazer.