Tenho quase o dever de sorrir sempre.
Ainda que me assole a maior tempestade, me doa o estômago de incompreensão, arda o peito de tristeza e impotência.
Ainda que os
músculos faciais tremam e teimem em ceder – há, em mim, um dever de sorrir.
Porque o sorriso é a única arma que possuo. E acredito nela, convicta que
derrubará gigantes e dragões, crente que iluminará o túnel mais longo e escuro
e afastará todos os fantasmas e medos.
Sim, o meu
sorriso aberto. Ele é o revolver que dispara, a espada que corta, o arpão que
fere. É também o escudo que defende, o abrigo que protege, a concha que me recolhe
do mundo.
Para lá do meu sorriso, há um labirinto imenso de contradições, uma desordem de pensamentos movediços, desconexos, agitados. Há fantasia e ilusão. Há inconstância e insatisfação.
Pensar é o
acto mais solitário e masoquista.
Eu, sorrio sempre.





