«Viver é não pensar nisso»
Tenho para mim, que planear demasiado é estrangular o momento.
É resumi-lo a um tempo, um espaço e acção. Amarra-lo. Sufoca-lo.
É pensar nos actos antes de agir, nas sensações antes de sentir. É antecipar problemas, erros e discussões, enfrentar o abismo do depois. Sofrer pelo que não aconteceu.
Há uma magia inebriante no acontecer inesperado, na surpresa do instante, no espanto da novidade.
É como correr descontrolado de olhos vendados. Entre o medo do embate, há uma sensação inconsciente que se chama liberdade. Sente-se a vida a fervilhar por dentro, numa ebulição atordoante.
Percebo, com o passar do tempo, que cada vez gosto mais dos momentos surpreendentes, sem regras, sem justificação, sem planos. Gosto de vive-los simplesmente. Não pensar no porquê ou por quanto tempo. Se voltarão a repetir-se ou se os guardarei para sempre na gaveta das memórias.
Tenho para mim, que os melhores momentos são saboreados na euforia da incerteza, na intensidade do agora e na ignorância absoluta do que existirá amanhã.