09 abril, 2012

al menos


Que a cada manhã acorde com vontade de amar.
Abraçar-te descontroladamente, atirar-te ao chão. Espreguiçar-me pelo areal extenso do teu corpo e rebentar por fim num beijo intenso e salgado. Deixar-te o dia inteiro com a sede dos meus lábios, para que voltes ao fim do dia sequioso. Depois, lançar-te a teia dos meus braços, seduzir-te num olhar incendiado e no silêncio do meu sorriso enfeitiçar-te, e levar-te para o meu refúgio.



07 abril, 2012

Momentos


«Viver é não pensar nisso»

Tenho para mim, que planear demasiado é estrangular o momento.
É resumi-lo a um tempo, um espaço e acção. Amarra-lo. Sufoca-lo. 
É pensar nos actos antes de agir, nas sensações antes de sentir. É antecipar problemas, erros e discussões, enfrentar o abismo do depois. Sofrer pelo que não aconteceu.
Há uma magia inebriante no acontecer inesperado, na surpresa do instante, no espanto da novidade.
É como correr descontrolado de olhos vendados. Entre o medo do embate, há uma sensação inconsciente que se chama liberdade. Sente-se a vida a fervilhar por dentro, numa ebulição atordoante.
Percebo, com o passar do tempo, que cada vez gosto mais dos momentos surpreendentes, sem regras, sem justificação, sem planos. Gosto de vive-los simplesmente. Não pensar no porquê ou por quanto tempo. Se voltarão a repetir-se ou se os guardarei para sempre na gaveta das memórias. 
Tenho para mim, que os melhores momentos são saboreados na euforia da incerteza, na intensidade do agora e na ignorância absoluta do que existirá amanhã.




04 abril, 2012

Coisas que gosto



O chocolate quente, e companhia!

Espero-te



Sabes, estou perdida…
Como se as pernas não pertencessem ao tronco e a cabeça não soubesse o que coordenar. Os braços gesticulam cegos e da boca brotam, insaciáveis, palavras soltas que não sei de onde vieram, nem o que querem dizer. Depois são as pernas que sacodem o corpo inerte, levam-me numa espécie de sonambulismo para os lugares onde me esperam.
É uma sensação estranha, dormente.
Há sempre alguém que me espera. Alguém que tem algo para me dar, algo para me dizer. 
Esperam-me. Ou esperam de mim sem eu perceber.
Pergunto-me, no embalar do vento, se eu também espero alguém.
Não sei onde estás, mas talvez te espere.
No limite do absurdo, sacudo o tempo da ausência para refugiar-me no conforto do teu colo. O lugar seguro onde eu te espero. Lá, na cabana da praia, numa noite em que a chuva cai violenta. Bebemos o vinho tinto derramado pelos nossos corpos, despojados no chão. A minha boca deleita-se a percorrer suavemente o teu pescoço, enquanto as mãos tacteiam no escuro, procuram sôfregas o ritmo certo. 
Não sei onde estás, mas espero-te.


03 abril, 2012

à nossa volta


À nossa volta, o mundo muda de cor.
Um clarão de luz preenche o dia que se faz cinzento.
Lá fora os carros buzinam, as pessoas correm apressadas sem direcção. É a vida que se esvai num trovejar frio e gasto de ilusão.
Entre nós, há o momento estático que nos prende.
No calor do nosso encontro, ouso chamar-te "amor".
Mesmo que mal te conheça, de ti apenas saiba o teu olhar, o teu sorriso.
Não me importa que contem o tempo entre nós dois.
O meu corpo e o teu colidiram aqui, agora, neste abrigo. Basta-me.
Chove negro lá fora e eu tenho-te comigo.
À nossa volta, o mundo muda de cor.