«Nunca é agora entre nós, é sempre até Domingo, até sexta, até terça, até ao próximo mês, até para o ano, mas evitamos cuidadosamente enfrentar-nos, temos medo uns dos outros, o medo do que sentimos uns pelos outros, medo de dizer Gosto de ti.» António Lobo Antunes
15 janeiro, 2014
última vez
É sempre a última vez entre nós dois.
A eterna despedida. A ausência anunciada numa morte lenta e previsível.
Perco-te. Cada vez que te tenho, perco-te.
Deixas-me, esvais-te entre os meus braços trémulos, diluis-te no meu olhar salgado de agonia.
Parece que te vejo sempre ao longe, naquela curva escura onde desapareces e perco-te de vista. Para sempre. Penso. Sinto. Não sei se estás vivo. Um ardor no estômago que queima infinitamente, resignada a uma vida que nunca fará parte da tua.
Todos os nossos momentos são, para sempre, os últimos. Todos os instantes, os sorrisos, os abraços, os beijos, os olhares e as palavras. Os últimos Como uma profecia declamada no alto de uma montanha, atirada ao oceano mais profundo.
Será talvez o ultimo, o nosso próximo momento. Irei vivê-lo com a intensidade de toda uma vida.
14 janeiro, 2014
pequenas doses
«Apago todas as mensagens. Menos as tuas. Guardo a tua voz em pequenas doses e, dia sim dia não, ouço-as todas de seguida. Sinto-me demasiado incapaz para falar contigo o que quer que seja. Não sei onde estás. Não quero saber. Tenho medo de saber mais do que sei.
Uma dor de cada vez basta.»
Pedro Paixão
13 janeiro, 2014
um sorriso
«Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar,
morrer naquele sorriso.»
Eugénio de Andrade
um sorriso
31 dezembro, 2013
15 novembro, 2013
Por aí
Encontra-me.
Não digas nada. As palavras estão gastas, carregadas de dúvidas e indecisões.
Encontra-me e Beija-me.
Loucamente. Agarra-me o corpo. Selvagem. Doce.
Um momento que seja,
Ama-me.
11 novembro, 2013
entre nós

Entre nós...
Existe o tempo rasgado por sonhos escondidos
e desejos secretos, abafados.
Palavras desertas, espalhadas entre as almofadas desarrumadas, sussurros, gemidos suados.
Existem cores vivas, que brilham num inverno frio e apagado,
e o sorriso contagiante, que abraça o corpo inerte e cansado.
Entre nós,
O mundo em redor não existe, não temos chão, céu, nem uma linha no horizonte para nos guiar.
Apenas o espaço apertado entre meu olhar no teu, entre a minha boca e a tua.
Entre nós
Existe um silêncio quebrado pelo compasso acelerado do peito e o arrepiar assustado da pele sedenta, nua.
Entre nós
existe tudo o que secretamente possa ser inventado, uma viagem sem regresso, numa noite a teu lado.
05 novembro, 2013
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