29 maio, 2017

escolha



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Quem ama fica.
Corre, persegue.
Quer tudo, a qualquer hora, em toda a parte.
Porque o suficiente não basta.
Quem ama extravasa. Rompe.
Não desiste.
Quem ama fica.
Tem dúvidas a fervilhar por dentro, mas não hesita.
Arrisca. Sempre.
Sem pensar nisso, de improviso.
Quem ama fica.
Não existe outra escolha possível.

06 dezembro, 2016

olhando para trás

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Olhando para trás, 
Talvez eu tenha sido sempre uma caçadora de sonhos.
Gigantes e impossíveis.
Talvez tenha perseguido fantasmas, toda a minha vida,
Numa teimosia cega, numa fé desmedida.

Reconheço que não fui, por um único instante, sensata.
Profeta de histórias felizes, ilusões audazes.
Corri sempre, compulsiva e desesperada,
em busca do inusitado, oásis esquecido, no meio do nada.
Nunca soube abrandar o ritmo,  
descansar na berma, caminhar apenas num lado da estrada.

Olhando para trás, reparo,
talvez eu tenha sido sempre uma coleccionadora
de memórias invisíveis:
o sorriso de um olhar tímido, 
o calor de um abraço apertado, a voz doce de embaraço,
ancorada em paraísos inacessíveis.

Ao fim destes anos todos, 
sei que não fui consciente das fantasias, verdades paralelas 
com que alimentei os meus dias.
Ausente voluntária da vida 
onde todos à minha volta existiam.

E é as vezes, pelo cansaço, que me abandono na espera,
ou me largo no bulício asfixiante do destino.
Encerro os sonhos, e os sentidos, no silêncio escarpado
do mundo onde me vivo.

20 novembro, 2016

hoje não

Hoje não escrevo.
As palavras assombram-me, em gemidos tristes, 
por estas noites.
Receio a sua morte súbita, caladas no silencio da penumbra. 
Uma morte vencida pelo cansaço da cura. 
Hoje não. Não escrevo.
São palavras mortas, estas que se esvaem, doentes da espera.
Queria abraçá-las de novo sadias, 
contagiadas de loucura e ousadia.
Queria-as em vida! 
Que acordassem da letargia, com que adormecem.
Rompessem a dormência, que apaziguam 
os dias.

24 maio, 2016

A tua ausência

"Quero dizer-te uma coisa simples: a tua ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais - um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos. Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto. São estas as formas do amor, podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes, quando a tua voz me chama de dentro de mim - e me faz responder-te uma coisa simples, como dizer que a tua ausência me dói."

Nuno Júdice

18 maio, 2016

Soledades




« (...)
los datos objetivos son como sigue

hay diez centímetros de silencio
entre tus manos y mis manos
una frontera de palabras no dichas
entre tus labios y mis labios
y algo que brilla así de triste
entre tus ojos y mis ojos


claro que la soledad no viene sola 

(...) »

Soledades - Poemas de Mario Benedetti

11 maio, 2016

Destino

Sangro todos os dias a saudade que tenho
E até nos dias em que te vejo, sangro. Mais ainda, sangro a pele que vejo e não toco.
Arde-me a boca, secam-me os lábios que não te beijam. E os olhos incham um vermelho suspeito.
Rasgam-me o peito as memórias dos sonhos que já não tenho, a ilusão do encanto.
E cada dia é mais um dia vagabundo na sombra do que não aconteceu.
Entre os escombros vazios, a ausência de sorte. Porque o amor é um jogo vida ou morte. E quis eu amar-te assim perdidamente, ingénua sem rodeios. Bastava-me tu, e eu. Nós era um lugar perfeito. Destino que busquei a vida toda, deserto de quem nunca chegou.