03 março, 2014

Fantasma



É no silêncio que procuro as respostas intangíveis. Num deambular de pensamentos dispersos, confusos.
Encontro os teus olhos no escuro, a percorrerem-me lentamente. Sinto os contornos do teu corpo indefinido. Como se os teus braços surgissem por trás das minhas costas. São asas que me protegem, e embalam devagarinho. E ainda que sejam frágeis, essas asas de penas brancas, finas e macias, eu abrigo-me nelas o melhor que consigo.
É o teu respirar, sempre o teu respirar que te denuncia junto do meu ouvido. Quente. Calmo. Ritmado. Arrepia a minha pele fria e bloqueia os meus sentidos.
Fantasma dos meus medos mais íntimos, eterna e esquiva companhia. Procuro-te sempre desesperada, na ansiedade onde habito. 
Por um caminho sinuoso, numa margem estreita da vida, entre o silêncio que nos aproxima e a distância que nos obriga.

2 comentários:

açoriana disse...

Sublime :)

Os fantasmas são assim... acompanham-nos quando mergulhamos no silêncio em busca de respostas!

Closet disse...

mesmo...
obrigada, beijinho