30 junho, 2011

Páginas de ti



Hoje tenho páginas de ti. Só isso.
Págínas de palavras vazias.Descarregadas na emoção do momento, tão intenso quanto fugaz.  Num discurso fluído, palavras mortas, abortadas em demasiadas páginas que carrego comigo. Talvez na ultima tentativa para compreender. Revolvo-as, desesperada, procurando-lhes um sentido. Mas são orfãs, atiradas contra uma folha de papel, flutuam inconscientes num remoínho. Olho para elas, descrente, parecem-me ridiculas. Naquele movimento circular, repetitivo. Assim foram as mentiras. Repetições antigas, num espectáculo já visto e aplaudido. Eu tinha a acção e tu, as palavras bonitas. As que queremos acreditar contra qualquer obstáculo, as certezas confortáveis e dogmáticas gravadas num perpétuo castigo.
«Sempre te amarei e nunca te deixarei», escreveste em páginas do nosso paralelismo.
Tempo. Só com o tempo aprende-se a aceitar as perguntas que nunca terão resposta e a distinguir as promessas das fantasias.

2 comentários:

Ivete disse...

Desilusões. Os grandes sentimentos são inspiradores, ainda que na dor da perda!

Bjs :)

ps: eu disse...

é uma verdade Ivete! Bjs :)