13 julho, 2011

Rota

Há 11 anos que faço o mesmo percurso, apanho o comboio e troco nas mesmas estações de metro. Ainda assim, em modo de piloto automático, não há uma semana em que não me engane numa qualquer estação de metro. Quando dou conta, estou 2 ou 3 estações à frente. Não porque adormeço, pelo menos, não na maioria das vezes! Mas porque insisto em aproveitar aqueles 45 minutos de trajecto de vida para mim, para ler, beber agua, escrever, ouvir musica, e sim, tudo em simultâneo. Na maioria das vezes consigo fazer estas coisas com sucesso… outras, confesso, o aparato que instalo nas minhas saídas abruptas das carruagens são episódios embaraçosos dos quais saio a pensar “Deus queira que não me vejam mais”. É o livro que cai, a água que se entorna, o lápis que rebola para debaixo do banco, o fio dos phones que fica preso na mala da senhora do lado…

Por mais rotas que existam, por mais vezes que a percorra robotizada, por um ou outro motivo, há alturas em que sinto uma necessidade visceral de fugir da rota habitual. Assim, meio inconsciente, de rompante, mesmo que perdida, sem saber se deslumbrada com a novidade da paisagem, se assustada com o desconhecido.

Sair da rota torna-se tão necessário como respirar…
Quebrar um zumbido que sufoca, arriscar um caminho em contra mão, entrar num cruzamento sem hesitar. Perder-me. Andar à deriva por um tempo. Abandonar-me. Esta é talvez a melhor forma de fugir de uma rota em colisão.

4 comentários:

Cláudio disse...

Por falar em sair da rota, lembrei-me de um filme chamado «Bandits», com o Bruce Willis em que a Cate Blanchett, no papel de uma mulher cansada da sua rotina, com vontade de sair da rota vai parar no meio de uma dupla de ladrões de bancos, conhecidos por pernoitar na casa do gerente na noite antes dos assaltos.« Aquela »quebrou mesmo a rotina ;) entre entrar nos assaltos e viver um triângulo amoroso com os dois bandidos. Existem fases na vida em que nos apetece simplesmente fugir, mudar o rumo, cometer loucuras ;)

Closet disse...

Não estou a ver qual é o filme, mas ... é um filme, lá é tudo tão mais fácil, basta seguir o guião, não há que enganar! beijos Cláudio

Ametista disse...

Querida Closet,
O stress do dia a dia é de tal forma desgastannte que damos por nós a dizer 'um dia passo-me e vou-me embora daqui' (falo por mim). Sentimos necessidade de sair e não voltar. Por outro lado, chegamos à conclusão que 'é aqui que pertencemos, é este o nosso lugar' etc, etc. Que fazer? Acomodamo-nos, com tanto para conhecer? (novamente falo por mim).
Bem, o teu texto faz-me lembrar uma certa pessoa que conheço, altamente desastrada e despistada cuja diferença é não andar de metro, não fosse ela da província. Ou seja, eu.
Adorei ler este pedaço do teu dia a dia. E compreendo-te. Por vezes, é vital 'abandonarmo-nos', como dizes.

Um grande beijinho :)

Closet disse...

Ametista, desastrada e despistada? juntas fazíamos uma boa parelha, os outros que se aguentassem!! Pois é verdade, às vezes dá vontade de explodir, ir na direcção oposta, andar ao contrário...qualquer coisa que nos faça "acordar" para outra vida e sentirmo-nos "vivas", acho que é isso :) Obrigada por vires ler-me com tanto carinho! beijinhoss